"Estratégias para o manejo dos sintomas gastrointestinais decorrentes de complicações da nutrição enteral"

Comentários sobre o Artigo: Strategies to Manage Gastrointestinal Symptoms Complicating Enteral Feeding. JPEN – Jan/Fev 2009-03-29

                O artigo trata das estratégias que podem ser utilizadas no manejo das complicações gastrointestinais relacionadas à nutrição enteral. A diarréia (12 à 68%) e a distensão abdominal (13%), são apontadas como as principais complicações nos pacientes que recebem dieta enteral. As variadas definições de diarréia utilizadas causam confusão entre os profissionais de saúde ao avaliarem esse sintoma gastrointestinal. De acordo com cada definição, a diarréia, pode ser mais ou menos prevalente. Se levarmos em consideração o número de evacuações maior ou igual a três vezes em 24h, pode chegar a 35%, já se considerarmos maior ou igual a quatro vezes em 24h, sua prevalência reduz para 20%. As causas de diarréia normalmente são multifatoriais, sendo esse, o principal foco do artigo, discutir as múltiplas causas de diarréia e outros sintomas gastrointestinais, para que assim, haja possibilidade de evitá-los ou trata-los de forma mais precoce. As causas mais comuns de diarréia apontadas são antibióticos, infecção por Clostridium difficille e efeitos adversos por drogas. A nutrição enteral também pode estar envolvida na causa dos sintomas gastrointestinais. Em relação à diarréia, alguns fatores podem estar envolvidos, como: a osmolaridade, a contaminação ou componentes específicos presentes na fórmula enteral. Os componentes destacados no artigo, foram: fibras solúveis (que podem levar a distensão abdominal por serem fermentáveis); fibras insolúveis (aumentam o bolo fecal e levam mais água para luz intestinal, aumentando o número de evacuações); e os polissacarídeos de cadeia curta (FOS e Inulina), todos devem ser avaliados sempre que o paciente apresentar sintomas gastrointestinais. Outras substâncias importantes, e que devem ser avaliadas, são as moléculas osmoticamente ativas e pouco absorvidas, que são os carbohidratos de cadeia curta pouco absorvidos e rapidamente fermentáveis, denominados de “FODMAPs” (oligo, di e monossacarídeos e polióis, fermentáveis). Nesses carbohidratos, estão incluídos os fruto-oligossacarídeos (FOS), galacto-oligossacarídeos (GOS), frutose e xarope de milho. A utilização de dietas enterais com FODMAPs pode levar a sintomas gastrointestinais como diarréia, distensão abdominal e dor, em pacientes com síndrome do cólon irritável, segundo o artigo. Excluindo o FOS e a inulina, as fórmulas enterais utilizadas no Brasil, normalmente não contém FODMAPs. É importante que cada serviço de terapia nutricional tenha um plano de ação para avaliar precocemente os sintomas gastrointestinais, excluindo suas causas e definindo as estratégias para uma adequada terapia nutricional.