Category Archives: Nutrição Clínica


Origens do termo “Recuperação Nutricional”

O termo “reabilitação nutricional” apareceu pela primeira vez em um editorial do British Medical Journal, de 28 de feveriro de 1948 (pág. 398 e 399), na sessão opinião pública, sem autoria definida. No texto, a acepção tomada foi bem diferente da atual, e abrangia aspectos políticos e de saúde pública. Mencionou-se a importância de levar comida aos estômagos vazios no pós-guerra [estamos no ano de 1948] até mesmo como uma ferramenta para a manutenção da paz. O aporte calórico deveria ser feito primeiro através de alimentos vegetais – menor custo e maior facilidade de produção – e posteriormente, alimentos de origem animal.
As plantações de cenoura cresceram para que houvesse maior disponibilidade de vitamina A para a população. Mulheres gestantes ou lactentes e crianças deveriam ganhar mais leite. Trabalhadores braçais deveriam receber refeições extras, pois “seus esforços são importantes para a economia do país”.

Devemos lembrar que a Terapia Nutricional Parenteral e Enteral é a ponta da pirâmide de intervenções nutricionais. Esquecer-se disso é subestimar a importante área do conhecimento que é a Nutrição Clínica.

Joan Emmanuelle Amato
Médica Intensivista
Pós-graduação em Medicina do Exercício e do Esporte
Especialista em Nutrologia (TE-ABRAN)

Preditores pré-operatórios para perda de peso no P.O. de cirurgia bariátrica

A obesidade é uma doença de origem multifatorial e de difícil controle. Em algumas situações, a cirurgia bariátrica é uma opção de tratamento, pois promove perda de peso sustentada e reduz comorbidades.

Parri et al. (2015) em estudo de coorte prospectivo, avaliaram a influência das características dos pacientes, da perda de peso no pré-operatório e do tipo de técnica cirúrgica na perda de peso em longo prazo pós-cirurgia bariátrica. Um total de 95 pacientes foram incluídos durante o seguimento de 4 anos, sendo que 77 indivíduos (81,1%) foram submetidos ao bypass gástrico em Y de Roux (BGYR) e 18 indivíduos (18,9%) à gastrectomia em Sleeve (GS). Os resultados mostraram que a idade e o índice de massa corporal (IMC) foram inversamente associados com o percentual da perda de excesso de peso (%PEP) no 1º, 2º, 3º e 4º ano de procedimento (p < 0,005). Além disso, o BGYR associou-se positivamente ao %PEP no final do estudo (p < 0,05). Portanto, idade jovem, menor IMC e técnica do BGYR são preditores independentes da perda de peso em longo prazo pós-cirurgia bariátrica.

Nutricionista do Corpo de Saúde da Marinha do Brasil
Mestre em Nutrição Clínica- INJC/UFRJ
Especialista em Terapia Nutricional- UERJ e pela SBNPE/BRASPEN
Residência em Políticas e Práticas em Situações de Saúde no Espaço Hospitalar-UNIRIO/HUGG

Pancreatite Aguda, ascite e função intestinal.

Um estudo recente avaliou a evolução clínica em pacientes com pancreatite aguda selecionados e submetidos à paracentese (punção transabdominal para retirada de líquido). As conclusões dos autores parecem sugerir que quando indicado, o procedimento parece melhorar a tolerância à alimentação oral, o atendimento mais rápido das metas calóricas quando do uso de dieta enteral e melhora dos sintomas de tubo digestivo nos pacientes submetidos.

Haroldo Falcão

Médico Nutrólogo (TE-ABRAN)

Presidente da Regional RJ | SBNPE

Biênio 2016-2017

 

A importância da Terapia Nutricional Oral

Este artigo mostra como o cuidado nutricional estruturado e imediato foi capaz de reduzir o tempo de internação e a readmissão hospitalar. Os autores observaram a melhora na qualidade dos resultados dos pacientes desnutridos com a aplicação dos seguintes passos: avaliação do risco nutricional, na admissão; oferta imediata de suplemento nutricional oral; educação nutricional do paciente e do cuidador, no momento da alta; e continuidade do suplemento nutricional, após a alta. Todos os pacientes foram orientados quanto a importância de consumirem o suplemento oral.

Por Nut. Claudia Santos Silva

Membro da direção da Regional RJ da SBNPE

Título de Especialista pela SBNPE

Biênio 2016 – 2017

 

Nutracêuticos no DPOC

A suplementação de creatina e a coenzima Q10 foram testadas em um estudo randomizado duplo-cego com 55 pacientes DPOC graves, com dependência de oxigênio. O uso destes suplementos por um período de 2 meses associou-se a melhora nos escores funcionais e de dispnéica em comparação com o acompanhamento nutricional padrão. Os mecanismos de ação possivelmente envolvem a repleção de fosfo-creatina muscular e o metabolismo mitocondrial.

Joan Emmanuelle Amato

Médica Intensivista

Nutrologia (TE-ABRAN) | Nutrologia Esportiva

Suporte Nutricional para Não-desnutridos é bom.

Sabe-se que a nutrição pré-operatória é benéfica para os pacientes com câncer desnutridos. No entanto, permanece a discussão dos reais benefícios da suplementação nutricional em indivíduos com câncer sem desnutrição. Kabata et al. (2015) em estudo prospectivo, randomizado e controlado, avaliaram a suplementação nutricional oral (600 kcal / 40g de proteínas) por 14 dias no pré-operatório de 54 pacientes, enquanto que o grupo controle foi composto por 48 pacientes. Avaliou-se alguns parâmetros nutricionais antes da intervenção cirúrgica, como: perda de peso nos últimos 6 meses e exames laboratoriais (albumina, proteínas totais, transferrina e contagem total de linfócitos). Depois da cirurgia os pacientes foram acompanhados por 30 dias para a verificação de complicações no pós-operatório. Os resultados mostraram que o grupo controle apresentou aumento no número de complicações graves em comparação ao grupo intervenção (p &lt; 0,001). Além disso, os parâmetros laboratoriais diminuíram significativamente nos pacientes do grupo controle (p< 0,001). Os autores sugerem a introdução do suporte nutricional no pré-operatório de indivíduos com câncer abdominal e do trato digestório sem desnutrição, pois ele auxilia na preservação do estado nutricional e reduz o número de complicações pós-operatórias.

 

Tiago Armentano

Nutricionista do Corpo de Saúde da Marinha do Brasil

Mestre em Nutrição Clínica- INJC/UFRJ

Especialista em Terapia Nutricional- UERJ e pela SBNPE/BRASPEN

Residência em Políticas e Práticas em Situações de Saúde no Espaço Hospitalar-UNIRIO/HUGG

Nutrição Enteral domiciliar é coisa de especialista.

Um recente estudo publicado por pesquisadoras da Universidade de São Paulo comparou amostras de fórmulas artesanais para alimentação enteral com amostras industrializadas. Foi observado que de modo geral, as fórmulas artesanais apresentaram menor teor calórico e de macronutrientes, resultanto em ofertas muitas vezes abaixo de 50% do prescrito. Além disso, foram encontrados maiores níveis de contaminação bacteriana.

Estas informações significam que o uso de alimentação artesanal, apesar de alternativa viável para muitas famílias, deve preencher pré-requisitos mínimos de qualidade. É recomendável que o plano nutricional em terapia nutricional seja feito por especialista.

Haroldo Falcão

Médico Nutrólogo (TE-ABRAN) | Intensivista (TE-AMIB)

Presidente da Regional RJ | Biênio 20160-2017 | SBNPE

 

Massa livre de gordura e complicações no médio e longo prazo.

Os novos critérios ESPEN para diagnóstico de desnutrição não é apenas lógico; consegue ser robusto o suficiente para identificar pacientes em risco nutricional e piores prognósticos. A incorporação do índice de massa livre de gordura conferiu poder discriminatório a ponto de identificar pacientes com maior risco de complicações e de morte em 3 e 12 meses da aplicação do teste. Confira o artigo aqui.

Haroldo Falcão

Nutrólogo (TE-ABRAN) | Intensivista (TE-AMIB)

Presidente da Regional RJ | SBNPE | Biênio 2016-2017.

Consenso ESPEN para diagnóstico da DESNUTRIÇÃO

Para quem perdeu ou ainda não fez o download, segue o link para acesso ao consenso ESPEN sobre desnutrição. De novidade, a inclusão do índice de massa magra como um indicador de risco nutricional.

Haroldo Falcão

Nutrólogo (TE-ABRAN) | Médico Intensivista (TE-AMIB)

Presidente da Regional RJ da SBNPE | Biênio 2016-2017

 

Úlceras gástricas no PO de bariátrica.

Essa é para quem acompanha pacientes com ulcerações após cirurgias de redução do estômago com bypass em Y de Roux. A administração do pó das cápsulas abertas foi mais eficiente em promover cicatrização em comparação a administração das cápsulas íntegras. Provavelmente o efeito se relaciona ao tempo encurtado de trânsito intestinal entre pacientes submetidos ao bypass. Será que isso acontece com outras substâncias? Quer ler o artigo? Clique aqui.

Por Haroldo Falcão

Nutrólogo

Presidente da Regional RJ – Biênio 2016-2017

SBNPE